Alien é um filme de 1979 uma obra-prima dirigida por Ridley
Scott e roteiro assinado por Dan O` Bannon mas poderia tranquilamente ter sido
feito anos depois , o segredo consiste numa estória bem contada, sem grandes novidades ou aquela vontade de
reinventar o cinema. Mas com uma
belíssima construção dos personagens, aliadas a narrativa que mantém o suspense, a qualidade e o realismo dos cenários e o
figurino já impressionam pra época. As
tomadas de câmera seguem o ritmo do
filme valorizam os diálogos e criam o mistério. Geralmente é isso que esperamos
dos bons filmes de ficção científica.
O filme começa
com a câmera explorando os espaços internos da nave Nostromo, o que cria um mistério em quem está
assistindo, sempre á espera do que virá em seguida. Quando finalmente somos
apresentados aos personagens do filme .
Eles são acordados e então saem de suas cápsulas individuais. Após o seu
computador central chamado Mãe ter recebido um sinal estranho de um asteróide desconhecido. Por força do contrato
os tripulantes são obrigados a se deslocar para o tal local, mesmo contrariados.
Tudo começa quando um dos personagens
chega nesse lugar desconhecido e é atingido por esses estranhos tentáculos, que na verdade utilizam
o corpo apenas como um hospedeiro, para
dar vida á um alien no próprio ventre , o ser estranho depois disso não para de crescer. Os
personagens e seus diálogos são tão naturais, que pouco demora para nos simpatizarmos com um e outro. O
roteiro desse thriller traz elementos de um cargueiro, não de astronautas mas
de caminhoneiros, querendo chegar logo
em casa, o que causa maior identificação com o dia-dia na terra.
No ínicio a
nave é comandada por Dallas (Tom Skerritt) aparentemente o protagonista do filme para os mais
desavisados, mas aos poucos a tímida Ripley (Sigourney Weaver) ganha espaço na
trama e torna-se a personagem central, mais uma inovação para os filmes do
gênero, ao nos revelar uma impressionante
protagonista feminina . Sua personagem tem uma força , que se não física aos
olhos num primeiro momento, ela é subjetivamente
construída e se revela em suas atitudes e nas situações de mais perigo. Depois
de rever esse clássico me deparei com muitas resenhas e resumos todos muito
interessantes e decidi também fazer minha humilde homenagem. Vou também abordar alguns pontos interessantes
seguindo a premissa que meus caros leitores, já assistiram e então possam acompanhar tais
abordagens.
Todo o desing do alien e da nave tanto a
Nostromo, quanto o da base alienígina foram
desenhadas por H.R Giger, inclusive na época as curvas da nave
encontradas no planeta desconhecido, foram consideradas extremamente sexualizadas pelos
produtores , que tiveram dificuldades em aceitar com facilidade o projeto, destaque também para
o cargueiro e os desenhos de suas portas
inspirados na cultura Asteca. E por fim o desing do Alien o elemento central do
filme e certamente o que teve sua
aceitação mais questionada, por ser
totalmente fálico, feito a partir dos estudos psicanalíticos de H.G Giger, que buscou na estrutura da cabeça as formas de um
penis, assim como na abertura da boca e seus tentáculos
algo que revela uma certa similaridade as
formas de uma vagina .
Outra coisa que
muito se fala sobre o filme é uma possível comparação com a distribuição do
trabalho, uma certa precariedade do cargueiro, a coorporação apresentada no filme poderia ser
facilmente interpretada simbolicamente como o poder do Estado sobre seus
empregados e trabalhadores .
Sendo assim não seria uma coorporação convencional do mundo
capitalista, mesmo apresentando a mesma força e autoridade que as próprias. E o
fato de uma mulher ter sido escolhida como protagonista , pode ser
facilmente uma referência e também homenagem aos movimentos feministas, que em 1979 já haviam obtido muitas conquistas,
no que se diz respeito a melhorias e igualdades, nas condições de trabalho
para as mulheres.
Na subtrama se desenvolve uma luta de poder bem atual entre
a tecnologia e o homem, nessa Brett( Harry Dean Staton) o robô é comandado pelo computador central mãe, ambos orientados pela coorporação a exterminar
qualquer vida humana. Em troca de salvar e levar de volta para a casa a nova
espécie biológica alienígena . No filme Brett aprende a ser malicioso com os
seres-humanos, essa postura fica bem clara na cena em que briga com Ripley. Quando
pega um jornal enrola nas mãos e tenta enfiar na boca da protagonista, uma cena
aparentemente sem nenhum sentido mas que revela um abuso do ponto de vista sexual, onde o robô sendo um macho quer demonstrar sua superioridade. No final Brett aprende que os seres-humanos
quando colocados em perigo, podem dar
sua vida para preservar sua espécie, contra qualquer agente exterior e inóspito.
Um filme aparentemente simples com um elenco pequeno, um roteiro sem grandes malabarismos ou invenções, porém muito bem escrito e dirigido de forma maestral por Ridley Scott,
que soube trabalhar com o mistério como poucos. E com isso valorizou o dialogo de seus persongens e
segurou seu Alien até os últimos suspiros, deixando o monstro vir a tona nos momentos pontuais do filme. Tudo isso colocou um pouco mais de realidade e
seriedade na criação desse ambiente mágico da ficção científica, renovando o genêro para o cinema moderno, tornando-se um verdadeiro clássico.
