segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Alien - O 8º Passageiro




     Alien é um filme de 1979 uma obra-prima dirigida por Ridley Scott e roteiro assinado por Dan O` Bannon mas poderia tranquilamente ter sido feito anos depois , o segredo consiste numa estória bem contada,  sem grandes novidades ou aquela vontade de reinventar  o cinema. Mas com uma belíssima construção dos personagens, aliadas  a narrativa que mantém o suspense,  a qualidade e o realismo dos cenários e o figurino já impressionam pra época.  As tomadas de câmera  seguem o ritmo do filme valorizam os diálogos e criam o mistério. Geralmente é isso que esperamos dos bons filmes de ficção científica.

       O filme começa com a câmera explorando os espaços internos da nave Nostromo,  o que cria um mistério em quem está assistindo, sempre á espera do que virá em seguida. Quando finalmente somos apresentados aos personagens do filme .  Eles são acordados e então saem de suas cápsulas individuais. Após o seu computador central chamado Mãe ter recebido um sinal estranho de um  asteróide desconhecido. Por força do contrato os tripulantes são obrigados a se deslocar para o tal local, mesmo contrariados.  Tudo começa quando um dos personagens chega  nesse lugar desconhecido e  é  atingido por esses  estranhos tentáculos, que na verdade utilizam o corpo apenas como um hospedeiro,  para dar vida á um alien no próprio ventre , o ser estranho  depois disso não para de crescer. Os personagens e seus diálogos são tão naturais, que pouco demora  para nos simpatizarmos com um e outro. O roteiro desse thriller traz elementos de um cargueiro, não de astronautas mas de caminhoneiros,  querendo chegar logo em casa, o que causa maior identificação com o dia-dia na terra.

        No ínicio a nave é comandada por Dallas (Tom Skerritt) aparentemente  o protagonista do filme para os mais desavisados, mas aos poucos a tímida Ripley (Sigourney Weaver) ganha espaço na trama e torna-se a personagem central, mais uma inovação para os filmes do gênero, ao nos revelar  uma impressionante protagonista feminina . Sua personagem tem uma força , que se não física aos olhos num primeiro momento,  ela é subjetivamente construída e se revela em suas atitudes e nas situações de mais perigo. Depois de rever esse clássico me deparei com muitas resenhas e resumos todos muito interessantes e decidi também fazer minha humilde homenagem.  Vou também abordar alguns pontos interessantes seguindo a premissa que meus caros leitores,  já assistiram e então possam acompanhar tais abordagens.http://bits.wikimedia.org/static-1.21wmf6/skins/common/images/magnify-clip.png    Todo o desing do alien e da nave tanto a Nostromo,  quanto o da base alienígina foram desenhadas por H.R  Giger,  inclusive na época as curvas da nave encontradas no planeta desconhecido, foram consideradas extremamente sexualizadas pelos produtores , que tiveram dificuldades em aceitar  com facilidade o projeto, destaque também para o  cargueiro e os desenhos de suas portas inspirados na cultura Asteca. E por fim o desing do Alien o elemento central do filme e  certamente o que teve sua aceitação mais questionada,  por ser totalmente fálico, feito a partir dos estudos  psicanalíticos de  H.G Giger, que  buscou na estrutura da cabeça as formas de um penis,   assim como na abertura da boca e seus tentáculos algo que revela  uma certa similaridade as formas de uma vagina .

     Outra coisa que muito se fala sobre o filme é uma possível comparação com a distribuição do trabalho, uma certa precariedade do cargueiro,  a coorporação apresentada no filme poderia ser facilmente interpretada simbolicamente como o poder do Estado sobre seus empregados e trabalhadores .

    Sendo assim não seria uma coorporação convencional do mundo capitalista, mesmo apresentando a mesma força e autoridade que as próprias. E o fato de uma mulher ter sido escolhida como protagonista , pode ser facilmente uma referência e também homenagem aos movimentos feministas,  que em 1979 já haviam obtido muitas conquistas, no que se diz respeito a melhorias e igualdades,  nas condições de trabalho para as mulheres.

     Na subtrama se desenvolve uma luta de poder bem atual entre a tecnologia e o homem, nessa Brett( Harry Dean Staton) o robô  é comandado pelo computador central mãe,  ambos  orientados pela coorporação a exterminar qualquer vida humana. Em troca de salvar e levar de volta para a casa a nova espécie biológica alienígena . No filme Brett aprende a ser malicioso com os seres-humanos,  essa postura fica bem  clara na cena em que briga com Ripley. Quando pega um jornal enrola nas mãos e tenta enfiar na boca da protagonista, uma cena aparentemente sem nenhum sentido mas que revela um abuso do ponto de vista sexual,  onde o robô sendo um macho quer demonstrar sua superioridade. No final Brett aprende que os seres-humanos quando colocados em perigo,  podem dar sua vida para preservar sua espécie, contra qualquer agente exterior e inóspito. Um filme aparentemente simples com um elenco pequeno,  um roteiro sem grandes malabarismos ou invenções, porém muito bem escrito e  dirigido de forma maestral por Ridley Scott, que soube trabalhar com o mistério como poucos. E com isso valorizou o dialogo de seus persongens e segurou seu Alien até os últimos suspiros, deixando o monstro vir a tona nos momentos pontuais do filme.  Tudo isso colocou um pouco mais de realidade e seriedade na criação desse ambiente mágico da ficção científica, renovando o genêro para o cinema moderno,  tornando-se um verdadeiro clássico.