O que dizer sobre um filme como Apocalipse Now, esse
clássico de um dos meus diretores favoritos Francis Ford Copolla. Os
horrores da guerra aqui estão estampados e na cara de todos que forem fortes
capazes de encarar as 3 horas dessa
película que nos oferece todos os jogos psicológicos, capazes de nos tocar fundo e
fazer os pensamentos divagarem, a respeito de nós ser-humanos por dias a fio.
Como uma droga no bom sentido o filme excerce o seu poder de reflexão de uma
forma bem direta ou seja como um soco no estômago.
Quando um oficial do exército americano capitão Willard
recebe sua missão; eliminar um homem do alto escalão do exército, que no meio
da guerra enlouqueceu ou quem sabe, na melhor da hipóteses alcançou sua
elevação espiritual. Esse homem é Marlon Brando na pele do Coronel Kurtz e no
momento, ele alcançou sua visão interna em meio a uma tribo de vietnamitas, onde
ele passa a ser cultuado como um Messias. Kurtz entrega suas forças ao bem do
seu povo e a sua nova cultura. O oficial Willard que esta em seu encalço no
meio da viagem sem fim e nem volta, se transforma em algo que nunca imaginou
que pudesse ser, ao encarar o seus
medos, conviver com seus demônios e desconfiar até mesmo da real culpa de seu
antagonista. Ele experimenta mudanças a todo momento, se torna um ser estranho para si mesmo, coloca
em cheque suas certezas; o certo e o errado, o bem e o mau. Tudo isso tem como ingredientes e pano de fundo, a década de 70. Onde a cultura hippie, as
drogas, o sexo e o rock n roll, fazem
parte da vida da maioria dos adolescentes que lá estão. Inclusive na vida dos companheiros de Willard,
nessa missão, mostrados como pessoas que não tem a mínima ideia do por que
estão ali. Por quem e porque estão lutando aquela guerra.
Cenas representativas do cinema estão nessa obra, logo no
primeiro take da clássica the end da lendária banda the Doors, faz uma ligação
direta com o poeta de uma geração Jim Morrison, ele representa a cultura dessa década e ao mesmo
tempo toda sua decadência e contradição; nesse
instante os helicópteros sobrevoam no amanhecer e ao fundo, um belo e apocaliptico Vietnã. Destaque para a
fotografia impecável, realmente de arrepiar. O que dizer então da frase do
Tenente – Coronel Bill Killgore(Robert Duvall), entorpecido pela guerra ao
dizer ; Adoro cheiro de Napalm pela manhã... E nos mostra a que níveis pode chegar a
natureza de um ser-humano em meio ao caos e os horrores da guerra. Procurar
algum sentido na guerra, talvez seja o
maior perigo. Essa é a guerra do
ser-humano contra si mesmo e os seus medos, tentando encontrar o último sentido para suas
vidas e brincando com uma centena de outras. A linha dessa dualidade dentro de
cada pessoa é tênue, o bem e o mau se fundem, a verdade e a mentira não existem
e a loucura pode ser a maior das sanidades... Esse é Apocalipse Now, um filme brilhante que nos faz descobrir um
pouco mais dos sentimentos ruins e bons existentes na humanidade e como nesse
conflito de interesses somos como joguetes dos poderosos. Os conflitos
existências estão em todos, a diferença esta para aqueles que estiveram no
campo de guerra esses dificilmente voltarão a ser os mesmos.





